Sexo Forte A impressão que se tem, ao analisar a literatura, é que os homens são muito mais afeitos à sensibilidade e às emoções dramáticas do que as mulheres. São muitos os casos de livros magníficos, feito por e para homens, explorando todos os labirintos da psique masculina, principalmente quando envolvendo a relação homem/mulher. Todo e qualquer tipo de reação diante da mulher amada já foi devidamente registrado na literatura universal. São vários os perfis abordados, de modo que os autores nos mostram as diferentes maneiras encontradas pelos homens de fazerem valer seus sentimentos, gostos e vontades referentes ao seu objeto de desejo. Temos o fraco, em “Dom Casmurro”; sendo que Machado de Assis também nos apresentou homem patético, representado por “Quincas Borba” no romance homônimo. Temos o romântico/porra-louca/batalhador, em “Mulheres”, de Charles Bukowski. Temos ainda o enérgico “Othelo”, de William Shakespeare. E até mesmo aquele que é narcisista, mas não deixa de se sentir culpado por isso e pelos efeitos que esse sentimento causa em sua vida amorosa – estou me referindo ao “Retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde. Temos ainda o conquistador, de “A Insustentável Leveza do Ser”, magnificamente escrito por Milan Kundera. E o indeciso, em “A Idade da Razão”, de Jean-Paul Sartre. Do lado das mulheres,são pouco os livros que se aventuram a descrever as suas perspectivas. E, mesmo assim, são escritos por homens, o que não deixa de ser incômodo. O primeiro exemplo que me vem à cabeça é “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert, que, embora o texto seja bastante verossímil, contém alguns clichês acerca do universo feminino que me incomodam. Gostaria mesmo de ler algum livro que dissesse, de modo claro e preciso, pela perspectiva feminina mesmo, o que se passa, afinal de contas, com uma mulher durante o turbilhão emocional em que ela se encontra quando está diante da pessoa à qual dedica a sua existência – se é que ela experimenta essa sensação. Dizem que Clarice Lispector nos traz algo muito bom nesse sentido. Concordo com essa opinião. Li pouco de sua obra, infelizmente, mas o pouco que li, de fato, credencia a autora a me trazer luzes sobre essa questão. Mas quero encontrar ainda mais exemplos. Afinal, a parte masculina tem vários representantes e cada um deles pintou a cabeça do homem à sua maneira. E, embora a escritora ucraniana-brasileira citada tenha um estilo pra lá de adequado para contar histórias que versem sobre esse mesmo tema, gostaria de me aventurar através de outros pontos-de-vista. Sugestões?
Escrito por Álvaro às 13h31
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