Juventude Transviada Nas duas décadas anteriores à minha (nasci em 1980), houveram numerosas transformações de comportamento que forjaram a sociedade ocidental tal qual conhecemos. No Brasil, em particular, as mudanças no visual foram as mais impactantes, chegando até mesmo a confundir os incautos. Onde faltava pudor na estética, sobrava provincianismo no trato entre as pessoas. Algo bastante perceptível na relação do brasileiro com o sexo, onde insinua-se muito, mas realiza-se pouco. Embora as alterações no modo de se apresentar tenham sido chocantes, a liberdade no que se refere ao agir e fazer é bem menos empolgante. A timidez, o sentimento de culpa e o medo do julgamento de outrem ainda fazem parte da rotina – guardadas as devidas proporções, segue-se o mesmo padrão de meados do século XX. No último sábado teve uma festinha adolescente em um sobrado perto de casa. As meninas estavam dançando ao som de um desses “pancadões” provenientes dos morros cariocas, sempre repletos de palavras maliciosas e provocantes. Pois bem, estavam todas lá, na calçada, de frente pro sobrado, com seus 15 aninhos, já trajando calças de cintura baixíssima, saltos altos, tops curtinhos e cabelos esvoaçantes, cada uma tentando caprichar na dança e nos movimentos sensuais mais do que a colega ao lado. Os meninos, por sua vez, também na faixa dos 15 anos recém-completos, concentravam-se na parte de cima da residência, todos se esforçando pra parecerem másculos, bebendo bastante, alguns fumando, empostando a voz e tentando gesticular da forma mais expansiva possível sem desmunhecar. Não é muito fácil. Digo por experiência própria. Meninos de um lado. Meninas de outro. Eles no primeiro andar, elas no térreo. Cada um tentando parecer mais do que é, querendo chamar a atenção de todos para se destacar de seus pares e, quem sabe, atrair o sexo oposto. Salvo algumas exceções, meninas cansadas, com os pés em frangalhos, e meninos bêbados, sem a consciência quanto à ressaca que os aguarda, terminam a noite ainda mais separados do que no início da festa. O sono, a cerveja e o cansaço passam a confundir o raciocínio. A probabilidade de rolar alguma coisa já não parece tão alta quanto parecia no começo da noite. Saí da adolescência há mais de uma década. Pouca coisa mudou de lá pra cá.
Escrito por Álvaro às 13h00
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