ECCE HOMO – FRIEDRICH NIETZSCHE
Nietzsche foi um escritor ignorado durante a vida e sua obra atingiu maior repercussão quando da publicação do provocativo texto “O Anticristo”, mais ou menos na época em que o autor contraiu uma severa enfermidade em seu sistema nervoso que o tornou incapaz.
Eu, sinceramente, tenho lá alguma dificuldade com Nietzsche, já que não consigo saber exatamente quando ele está bancando o irônico ou simplesmente querendo chamar a atenção. Por exemplo:
“Para mim, o ‘amor ao próximo’ é nada mais do que uma fraqueza, um caso isolado que demonstra a incapacidade de opor resistência a um estímulo – a piedade é uma virtude apenas entre os décadents. Eu acuso os piedosos de se perderem em sua vergonha, em sua reverência, em seu instinto delicado para as distâncias; a piedade, por sua vez, acuso-a de feder a povo num simples piscar de olhos, e de ser mito parecida com as más maneiras, com as quais facilmente pode ser confundida, aliás – olhos piedosos podem, conforme as circunstâncias, interferir de modo destruidor em um destino grandioso, em um isolamento entre feridas, em um privilégio para as grandes culpas. A superação da piedade, eu coloco entre as virtudes nobres...” [grifos no original]
E também não compro a idéia de um cara que chama o cristianismo de manipulação social (cometendo o erro crasso de confundir o uso político da religião com a religião sem si) ao mesmo tempo que baba ovo pro budismo. Fica pior ainda quando tenta justificar o lado “psicológico” da coisa. Acaba saindo coisas como: Cristo prega o perdão – coisa de débil mental; Buda aconselha a responder a ofensa com um abraço – sabedoria oriental. Muito esperto. A velha história da grama do vizinho...
De todo modo, reconheço que a escrita do alemão é bastante curiosa. Cada parágrafo é um convite à pausa pra pensar sobre o que foi dito e sobre o modo como foi dito. É uma leitura lenta, reflexiva. Requer certo esforço. Um bom exercício de retórica.
Escrito por Álvaro às 22h32


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