Resenhas


 
 

ELAS E AS LETRAS


 

 

Décadas atrás, em minha busca inglória dos por ques que me sujeitavam à condição de solteiro involuntário, nos primórdios da adolescência desenvolvi um hábito que carreguei por anos: ler revistas femininas. Imaginei durante um bom tempo que aquelas reportagens, crônicas e artigos, um dia, me trariam o conhecimento necessário pra romper os obstáculos até então insuperáveis frente às fêmeas da espécie.

 

Nas casas de irmãs ou amigas de minha mãe, toda vez que encontrava as tais revistas, me atirava na leitura daqueles textos escritos por e para mulheres.

 

Como poderia se supor, a leitura desses textos foi muito pouco produtiva no sentido de me ajudar na arte do galanteio. Ao invés de esclarecimentos, me trouxeram ainda mais dúvidas; afinal, não foram escritos pensando em ter a mim como leitor.

 

Além disso, as revistas descreviam figuras masculinas muito distantes da minha realidade. Mais pareciam caricaturas do que homens – ora atuando como pais turrões, ora tratados como filhos mimados.

 

Concluí que o problema estava no formato. Revistas são superficiais, descartáveis. Quem sabe, a literatura poderia me fornecer algumas respostas.

 

Mas, por onde começar?

 

A dica veio de um escritor que tava na TV falando sobre “Madame Bovary” (Gustave Flaubert), dizendo ao entrevistador que passou a escrever por causa desse livro. No dia seguinte procurei o tal livro e achei numa banca perto de casa. Li no escuro, sem saber muito bem do que se tratava a história. Contudo, fiquei curioso pelo fato do romance ser protagonizado por uma mulher.

 

Quanto ao livro em si, digo que Flaubert é um frasista de primeira (grifei dezenas de passagens), mas a história como um todo não me impressionou. De forma análoga às revistas femininas, o escritor francês descrevia o sexo oposto de modo caricatural. A “madame” do título, embora nas primeiras páginas seja descrita como culta e bem educada, passa a se comportar de maneira fútil, passional, beirando a inconsequencia. Uma mulher estereotipada, enfim.

 

Decepcionado com a literatura, desencanei do tema e passei a me concentrar em outros assuntos.

 

Tempos depois, me apaixonei pela minha atual esposa. Só que eu ainda não havia encontrado uma maneira certa de me aproximar dela. As mulheres do meu convívio social me davam conselhos contraditórios. Revistas femininas já tinham caído no meu conceito. As masculinas, então, consistiam no mantra “seja rico, bombado e feliz”. Assistir Sex and the City também não ajudava muito.

 

Decidi dar uma nova chance à literatura. Fui a uma biblioteca e encontrei “A Legião Estrangeira”. Contos da Clarice Lispector. Tá aí, uma boa aposta, imaginei.

 

As histórias eram curtas. Envolviam mulheres de todas as idades, em situações diversas, se comportando como seres humanos comuns. Foi interessante notar o existencialismo presente na indecisão entre matar ou não uma barata.

 

Ganhei a aposta e passei a namorar minha mulher.

 

Uma vez dentro de um relacionamento, no entanto, minha curiosidade acerca das sutilezas do universo feminino não diminuiu. O desejo de tentar me antecipar a algumas situações se tornou cada vez mais presente. Não lido bem com toda essa imprevisibilidade inerente ao convívio com elas.

 

Passei a ler alguns blogs escritos por mulheres. O tom confessional e direto desse formato me interessou. Suas crônicas continham boas dicas acerca dos (muitos) humores que se sucedem durante apenas 24 horas na vida de cada uma delas. Uma delas recomendou “Never Let me Go” (Kazuo Ishiguro).

 

Novamente, um romance escrito por um homem e protagonizado por uma mulher. Porém, o estilo de Ishiguro é o inverso do de Flaubert. “Never Let me Go” é uma história muito boa; contudo, o livro não contem nenhum aforismo notável.

 

Entretanto, ambos se assemelham em uma coisa: as inconsistências das decisões de seus personagens femininos. Apesar de toda a trama de Ishiguro não ter absolutamente nada de convencional, muito menos estereotipada, a relação da protagonista com sua sexualidade me pareceu inverossímil.

 

Por sorte, quando já estava finalizando esse livro, li uma crônica sobre certa feira literária onde estaria presente uma jovem escritora, Carola Saavedra. Numa rápida pesquisa na internet, vi outras boas críticas a seu respeito. Na primeira livraria que entrei, encontrei um exemplar de “Flores Azuis”, a publicação mais recente da autora.

 

Novamente, a surpresa foi das mais agradáveis. Uma mulher expondo suas fragilidades sem que o tom seja pedante ou misericordioso. Não cabe ao romance outro adjetivo senão o batido “visceral”. Bato aqui minhas palmas à coragem da Carola.

 

Curioso: ambas as escritoras que citei são estrangeiras que vieram ao Brasil ainda crianças. Coincidência?



Escrito por Álvaro às 17h41
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TANTO FAZ - REINALDO MORAES

Li a edição mais recente desse romance curto, relançado pela Companhia das Letras comprimido num mesmo volume junto com a novela "Abacaxi" (que ainda não li). Digo que é a edição mais recente porque, como dito no prefácio do livro, o autor, Reinaldo Moraes, a cada relançamento de suas obras, recauchuta o texto, com intervenções aqui e ali.


Mas o que mais me chamou a atenção durante a leitura (além do estilo, que tornou Reinaldo num escritor idolatrado pelos seus leitores) foram as inúmeras semelhanças com "Travessuras da Menina Má", do Vargas Llosa. A saber:


- Os dois livros são protagonizados por um Ricardo;

- Narrativa em primeira pessoa;

- Os principais personagens, bem como os protagonistas, são latino-americanos;

- Cada Ricardo é chamado pelo diminutivo (Ricardinho e Ricardito) por suas amantes;

- Ambos são funcionários públicos;

- Os protagonistas têm amigos que tentam encorajá-los a se tornarem escritores;

- As duas histórias se passam, em sua maior parte, em Paris;

- Em "Tanto Faz", Ricardo mora na Rue des Écoles, e em "Travessuras", Ricardo vive na École Militaire;

- Os "clochards" parisienses têm um papel crucial em ambas as histórias;

- Tanto o escritor brasileiro como o peruano se utilizaram de elementos confessadamente autobiográficos em seus romances.


Talvez eu tenha esquecido alguma coisa, mas acho que já deu pra entender o que quero dizer.


Como eu disse, eu li a versão mais recente de "Tanto Faz", mas o livro foi publicado originalmente em 1981. Já "Travessuras da Menina Má" teve sua primeira edição em 2006. Não quero crer que o escritor peruano, vencedor do Nobel de Literatura no ano passado, tenha feito plágio da obra de Moraes. Apesar das coincidências, as histórias e o estilo de ambos os autores são muito diferentes. Mesmo os dois Ricardos só têm em comum o nome - suas aspirações e personalidades são praticamente opostas. Mas, diante de tantas semelhanças entre ambas as tramas, é de se pensar se Vargas Llosa não fez, ao menos, uma homenagem ao escriba paulistano.

 

Aliás, muito me surpreende que jamais tenham levantado essa hipótese.



Escrito por Álvaro às 17h34
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TRAVESSURAS DA MENINA MÁ – MARIO VARGAS LLOSA

Nos últimos dois anos eu tenho desenvolvido uma teoria baseada numa conclusão literária óbvia: Livros grandes são grandes porque precisam ser grandes.

 

Um livro repleto de longas e numerosas páginas contém uma ideia que não tem como ser resumida. É razoável acreditar, inclusive, que o próprio escritor tenha sido o primeiro a esgotar as tentativas de reduzir a narrativa ao máximo (ou ao mínimo, no caso).

 

O raciocínio é o mesmo para os textos mais curtos. Não dá pra estender uma novela ou mesmo um conto de forma artificial – fatalmente haveria encheção de linguiça e a redação perderia a sua força.

 

No entanto, um romance de fôlego, cujo texto se estende por dezenas de milhares de palavras, para ser apreciado como deve, tem que ter ritmo. E minha teoria parte do pensamento de que esses tratados quilométricos só passam pelo crivo da posteridade por conterem exatamente isso: ritmo.

 

E o que é o ritmo no contexto literário? É a solução encontrada pelo autor para que a velocidade da narrativa esteja de acordo com os acontecimentos contidos em cada página, de um modo tal que tanto o estilo da escrita como a história em si estejam em sincronia.

 

Me dei conta disso ao perceber que demorei o mesmo tempo (3 semanas) para ler tanto “Crime e Castigo” de Dostoiévski (um calhamaço de quase mil páginas) como “O Processo” de Kafka (um livreto com menos de 200 pág.).

 

Hoje, decorridas as mesmas 3 semanas após o início da leitura de “Travessuras da Menina Má”, terminadas as suas 400 páginas, consolido a minha teoria. O ritmo da escrita de Vargas Llosa não é tão rápido como a narrativa quase policialesca de “Crime e Castigo”, tampouco se rasteja como no claustrofóbico “O Processo”. O que une as 3 obras, no entanto, é que a fluidez da história advém justamente da adequação entre a agilidade do texto e aquilo que está sendo revelado. É o que caracteriza, portanto, um grande mestre na arte (ciência?) de contar histórias.

 

O escritor peruano, a propósito, expõe a sua maestria ao demonstrar de maneira irretocável que é possível, sim, apanhar um punhado de clichês, temperá-los com erotismo (e alguma pieguice) e construir com isso um poderoso romance. Palmas para ele.



Escrito por Álvaro às 17h36
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PERGUNTE AO PÓ – JOHN FANTE

Expectativas são realmente traiçoeiras.

 

O clássico de Fante foi uma leitura por mim adiada muitas e muitas vezes, sem uma razão única. No entanto, a cada vez que eu lia comentários sobre o livro, aumentava em mim a vontade de devorá-lo, esperando algo não menos que sublime, um verdadeiro divisor de águas em minha parca biblioteca. Cineastas, roteiristas e escritores diversos se derretendo em elogios ao autor e sua obra-prima, considerando-a como um dos grandes momentos da literatura do século XX.

 

Além disso, pessoas próximas a mim que haviam lido o romance sempre me transmitiam as melhores impressões. Um amigo que, confessadamente, detesta ler, abriu uma exceção para as aventuras de Arturo Bandini.

 

A ansiedade em lê-lo, no entanto, foi abortada quando vi o preço do dito-cujo. Vergonhosos trinta e poucos reais por um livro de cento-e-algumas páginas. Não queria comprar em sebos, pegar um exemplar na biblioteca ou mesmo pedir emprestado para algum amigo, pois entendia que um clássico de tal envergadura merecia o esforço de adquirir um volume novinho, pronto para ocupar um lugar de destaque em minha prateleira.

 

Havia, no entanto, uma opção para ler Fante: sua obra menos conhecida, “1933 Foi um Ano Ruim”, vendida em bancas de rua por algo em torno de R$ 10. A impressão foi a melhor possível. Logo na primeira página o livro se apossou da minha atenção de forma definitiva e li o romance de forma compulsiva, quase sem parar, celebrando a concisão do autor ao mesmo tempo que lamentava a duração tão pequena da leitura (terminei em 2 dias, só naquele esquema de ler durante o trajeto casa-trabalho-casa).

 

Já familiarizado com o universo de Fante, criei coragem (e vergonha na cara) e comprei “Pergunte ao Pó”. Novamente, sem motivos de grande relevância, acabei postergando o dia em que eu seria mais uma vez capturado pela sua prosa ágil e emocionante.

 

Daí que, semanas atrás, começo de ano, naquele momento de tentar recolocar as leituras em dia, pus “Pergunte ao Pó” debaixo do braço e parti rumo às suas páginas. Logo de cara, um prefácio matador de Bukowski, entoando vivas ao romance, praticamente afirmando que se tornou escritor por causa de Bandini e suas andanças.

 

Li do primeiro capítulo ao último tentando encontrar aquela fagulha, aquele insight de que tantos falaram. Não consegui achar o tal elã, muito embora veja, sim, méritos na obra. Mas destaco-a longe de outros clássicos do século XX, bem abaixo, até, do próprio Fante, com seu “1933...”.

 

Imagino que parte da “culpa” advém das minhas próprias expectativas – provavelmente infladas pela ansiedade em ler o romance.


Uma outra explicação possível é que o tipo de narrativa encontrado em “Pergunte ao Pó” tenha sido tão imitado e reciclado por outros autores (que eu havia lido antes, mas que escreveram depois de Fante) que, ao ter contato com a obra original, eu simplesmente já tivesse assimilado tudo aquilo que poderia me impactar.

 

Algo parecido me aconteceu quando li “Dom Casmurro”. Dá impressão que se comprou gato por lebre, mesmo com a certeza de que o vendedor te entregou o prometido. Pena...



Escrito por Álvaro às 18h36
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AMERICAN PSICHO – BRET EASTON ELLIS

É o segundo livro do Ellis que eu leio  já conhecia o "Glamourama".


A fórmula é a mesma: um playboy com sexualidade indecifrável toca sua vida flanando no Upper West Side, paquerando modelos e frequentando as baladas dos almofadinhas de Wall Street. Daí, de repente, o leitor se dá conta do labirinto psicótico em que o autor lhe enredou. E torna-se difícil largar o livro até conseguir decifrar todas as pistas falsas que você havia tomado por verdadeiras.

 

B.E.Ellis é do mal...



Escrito por Álvaro às 12h37
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PRIDE AND PREJUDICE – JANE AUSTEN

Por que li no original? Simplesmente porque o livro em inglês custava a bagatela de 6 reais, enquanto o traduzido sairia por 3 vezes esse valor  uma das ironias do mercado editorial brasileiro. Mas foi dureza encarar aquele accent arcaico e empolado.

 


O certo é que a autora é surpreendentemente espirituosa. O tal do humor britânico aparece logo na primeira frase do livro. E, embora seja um romance bastante sensível, o ritmo é leve e prazeroso, longe da água-com-açúcar.


Frase:

"I wonder who first discovered the efficacy of poetry in driving away love!"


Touché!



Escrito por Álvaro às 15h41
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NOTAS DO SUBSOLO – FIÓDOR DOSTOIÉVSKI

Livro pequenininho, daqueles que dá pra ler numa tacada só – apesar da densidade da primeira parte, “Subsolo”, que assusta um pouco no começo e dá a impressão de que não vai acabar mais.

Quanto à história em si, trata-se, no fim das contas, das memórias de um bunda-mole que nunca teve o ímpeto necessário para definir o que quer que fosse e, agora, já em seus últimos dias, relembra uma desventura amorosa que marcou a sua vida, dando vazão a rancores diversos. Na busca por convencer a si mesmo sobre seu valor, que, no fundo, sabe que não possui, pontua o relato com boa dose de auto-piedade – e alguns chiliques. 

 

Ao fim da leitura, me perguntei se essa novela não serviu de inspiração a Machado de Assis na composição de seu notório “Dom Casmurro”, igualmente narrado em primeira pessoa por um loser que, na velhice, especula sobre a culpa de terceiros pela inércia que permeou toda a sua existência.



Escrito por Álvaro às 12h12
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O ANIMAL AGONIZANTE - PHILIP ROTH

Esse derruba a tese de que não se julga um livro pela capa. No caso, a contra-capa. Impossível lê-la e não querer devorar o livro na mesma hora.
 


Trechos (além da contra-capa):
 
"Por que é que fico elogiando-a quando falo com ela? Por que não paro de dizer que ela é perfeita? Por que sempre tenho a sensação de que estou dizendo a coisa errada pra essa garota? Não consigo imaginar como ela me vê, como ela vê coisa nenhuma, e minha confusão me faz dizer coisas que me parecem falsas ou exageradas..."
 
  
"... a maioria das pessoas leva para a cama o que há de pior em sua biografia..."
 


Roth, pra variar, pega na veia. E acerta no ângulo.



Escrito por Álvaro às 17h21
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CRIME E CASTIGO - FIÓDOR DOSTOIÉVSKI

O óbvio: Ninguém soube descrever melhor as agruras de um jovem ex-estudante desempregado.

 

O não tão óbvio: É possível escrever de forma bem humorada sobre um romance trágico entre um assassino e uma prostituta.

 

O nada óbvio: Só mesmo na Rússia poderia surgir o chamado "socialismo real" e todas as suas implicações.



Escrito por Álvaro às 21h44
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1933 FOI UM ANO RUIM – JOHN FANTE

Estava procurando o clássico "Pergunte ao Pó", do próprio Fante, na prateleira da livraria. Não consegui encontrar e, confesso, comprei esse "1933..." meio ressabiado. Bastam algumas linhas pra ter a certeza de que é um baita livro – a despeito de ser um livro tremendamente enxuto, contando com cento e poucas páginas.

 

Não importa que a história se passe na década de 30. Todo homem se reconhece imediatamente na pele do adolescente baixote com orelhas de abano que possui uma fé inabalável em um talento que só ele é capaz de levar a sério. É isso que faz o texto ser bom.


Trecho:

 

– Quantos anos você tem? – ela perguntou.

– O bastante. Idade não é importante.

– Dezessete é importante. Você tem dezessete, não tem?

– Quase dezoito. 

 

Ela estacionou ao lado do meio-fio no Elks Club. 

 

– Visto que estamos fazendo perguntas, quantos anos você tem?

– Vinte e três.

– Não é velha demais.

– Velha demais para quê?

– Quer dizer, você não é uma mulher velha. 

 

Ela sorriu. 

 

– Velha demais para você. 

 

Não falei nada, mas não concordei. Ela poderia ter setenta anos e não teria importância. Quando ela tivesse oitenta, eu teria setenta e quatro, e quando ela chegasse aos cem eu teria noventa e quatro, então que droga de diferença a idade fazia? 

 

Desci do carro, minha virilha guinchando por socorro enquanto eu ficava ereto e sentia um aperto nas ferramentas. Mas o casaco de lã do meu irmão me cobria até os joelhos enquanto eu percorria sem vacilar os degraus cobertos de neve até o ginásio. 

 

(...) 

 

Ela foi até o fogão, sinuosa como uma cobra dourada; eu cravei os olhos nela como um esfomeado e senti um demônio insurgindo-se em mim, uma onda de urgência súbita, quem não arrisca não petisca, agora ou nunca, tudo ou nada. 

 

– Eu te amo – falei. 

 

Ela baixou o bule de café  e virou-se pensativa, achando e não achando engraçado, sem acreditar bem.

 

– Não seja bobo – ela disse, sorrindo.

– Eu te amo. 

 

Agora ou nunca. Me pus de pé  e me vi puxando na direção dela, caindo de joelhos à sua frente, meus braços em volta de seus quadris, meu rosto nas profundezas de seu vestido, e o demônio tentando-me totalmente sob seu poder. 

 

– Eu ter amo, eu te amo!

– Pare com isso! 

 

Ela se contorcia e lutava para se libertar. 

 

– Me solte seu idiota! 

 

Mas o demônio me dava forças, e eu beijei a sua barriga e as suas coxas enquanto ela lutava para escapar. Então os pés dela escorregaram nos ladrilhos brilhantes, ela caiu em cima de mim, e eu encha-a de beijos, inspirado, (...) e beijava agora o seu pescoço, depois seu joelho, a sua perna, o seu cotovelo, qualquer coisa ao alcance dos meus lábios (...).



Escrito por Álvaro às 12h28
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ECCE HOMO – FRIEDRICH NIETZSCHE

Nietzsche foi um escritor ignorado durante a vida e sua obra atingiu maior repercussão quando da publicação do provocativo texto “O Anticristo”, mais ou menos na época em que o autor contraiu uma severa enfermidade em seu sistema nervoso que o tornou incapaz.

Eu, sinceramente, tenho lá alguma dificuldade com Nietzsche, já que não consigo saber exatamente quando ele está bancando o irônico ou simplesmente querendo chamar a atenção. Por exemplo:

 

“Para mim, o ‘amor ao próximo’ é nada mais do que uma fraqueza, um caso isolado que demonstra a incapacidade de opor resistência a um estímulo – a piedade é uma virtude apenas entre os décadents. Eu acuso os piedosos de se perderem em sua vergonha, em sua reverência, em seu instinto delicado para as distâncias; a piedade, por sua vez, acuso-a de feder a povo num simples piscar de olhos, e de ser mito parecida com as más maneiras, com as quais facilmente pode ser confundida, aliás – olhos piedosos podem, conforme as circunstâncias, interferir de modo destruidor em um destino grandioso, em um isolamento entre feridas, em um privilégio para as grandes culpas. A superação da piedade, eu coloco entre as virtudes nobres...” [grifos no original]

 

E também não compro a idéia de um cara que chama o cristianismo de manipulação social (cometendo o erro crasso de confundir o uso político da religião com a religião sem si) ao mesmo tempo que baba ovo pro budismo. Fica pior ainda quando tenta justificar o lado “psicológico” da coisa. Acaba saindo coisas como: Cristo prega o perdão – coisa de débil mental; Buda aconselha a responder a ofensa com um abraço – sabedoria oriental. Muito esperto. A velha história da grama do vizinho...

De todo modo, reconheço que a escrita do alemão é bastante curiosa. Cada parágrafo é um convite à pausa pra pensar sobre o que foi dito e sobre o modo como foi dito. É uma leitura lenta, reflexiva. Requer certo esforço. Um bom exercício de retórica.



Escrito por Álvaro às 22h32
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O CÓDIGO DA VINCI – DAN BROWN

Romance policial competente, repleto de curiosidades, escrito com linguagem ágil e instigante. Em algumas passagens, muito embora o autor se esmere por encavalar um mistério dentro do outro, o fio condutor da história acaba por se tornar previsível demais. Mas essa mistura de ação frenética, simbologia e uma levíssima pitada de erotismo faz do livro um verdadeiro page turner. Não fez tanto sucesso à toa.

 

Trecho:

 O protagonista reflete acerca da fala de um parisiense, que exalta a visão da Torre Eiffel.

“ (...) a França, um país famoso pelo seu machismo, mania de conquistar mulheres e líderes minúsculos e inseguros como Napoleão e Pepino o Breve, não podia ter escolhido um símbolo nacional mais adequado do que um falo de 300 metros de altura.”

 

Hahaha! Boa! Que foi que disse que os best-sellers não têm nada a dizer?



Escrito por Álvaro às 23h02
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HOLLYWOOD - CHARLES BUKOWSKI

 

 

Mais de uma pesoa me falou que "Hollywood" seria a obra-prima de Bukowski. É um belo e divertido livro, não há a menor dúvida disso. Mas já li momentos mais inspirados do Velho Safado.

 

Cena 1:

Um rapaz todo nervosinho sai aos berros de uma sala onde alguns homens conversam alegremente. O ambiente, outrora descontraído, fica pesado.

 

– Tenha calma, Hank – Sarah me diz. Ele está sóbrio, enquanto vocês já estão bêbados há horas. Você nunca esteve sóbrio em um lugar onde todos os demais estavam  bêbados?

 

– Não.

 


Cena 2:

 “Chegamos um pouco atrasados para a festa, mas ainda não havia muita gente. (...) Depois que Sarah e eu nos sentamos, aparece o garçom com o nosso vinho. Vinho branco. Bem, era de graça.”

 

 



Escrito por Álvaro às 14h01
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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, JOSE BONIFACIO, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Livros, Informática e Internet, casado
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